O que vi no shows dos Rolling Stones em São Paulo

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Hoje os Rolling Stones encerram a parte brasileira da tour Olé, que passou por vários países da América Latina. Ao todo no Brasil foram 4 shows: um no Rio, dois em São Paulo e o último em Porto Alegre. Eu tive a oportunidade de ir no segundo show em São Paulo e compartilho a minha experiência de ter visto a maior banda de rock (ativa) do mundo.

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Já fui em outros shows de artistas mais velhos e consagrados, porém nada havia me preparado. A começar pela plateia, onde no setor em que eu estava (cadeira inferior) era predominantemente de pessoas mais velhas, na faixa dos 40 aos 70 anos, o que pra mim foi uma novidade, já que mesmo em shows como o do Paul McCartney eu não tinha visto um público da “melhor idade” tão em peso. Vi também muitas famílias – mãe, pai, filhos, netos – bem humorados, curtindo aquela que talvez tenha sido uma oportunidade única. Pude dar umas voltas também na pista normal, já que podíamos ter acesso a pista para comprar lanche, e a visão já era diferente: a maioria era jovens nos seus 20, 30 anos. Isso é até entendível, visto que na pista você teoricamente vai ficar de pé o tempo todo, enquanto na cadeira inferior você pode sentar, pelo menos até o início do show.

O show de abertura começou por volta das 19 horas e posso afirmar que nunca em um show internacional, a escolha da banda de abertura casou tão bem com a banda principal. Os Titãs são, na minha opinião, a maior referência de banda de rock brasileiro e como já era esperado, deram conta de abrir os trabalhos para os Stones da melhor maneira possível. Com um set list cheio de hits em versões mais pesadas (Comida, Flores, Marvin, Bichos Escrotos, Sonífera Ilha, entre outros) animaram o público, mostrando que o nosso rock nacional também tem história e deve ser apreciado. A resposta da galera também foi ótima, já que mesmo com o som mais baixo e os telões desligados (como é comum em shows de abertura), o pessoal cantava todos os hits e entre uma música e outra, gritos entoando o nome da banda (“Titãs! Titãs” Titãs!”) eram ouvidos. Dou destaque a este fato porque normalmente bandas de abertura nacionais não são muito bem recebidas pelo público, que muitas vezes é desrespeitoso com o artista/banda, já que querem ver logo o artista principal. Não é uma regra, mas é o que eu vejo na maioria das vezes.

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Foto: Caren Stefanski

Poucos minutos após ás 21hs, o baterista Charlie Watts e os guitarristas Ron Wood e Keith Richards sobem ao palco, acompanhando o vocalista Mick Jagger ao som de Jumpin’ Jack Flash. Quando fogos de artifício explodem no céu, é que cai a ficha: “PQP, estou num show dos Stones!” Esse foi o sentimento e a frase que ecoou na minha mente ao longo das 2hs e meia de apresentação.

O show seguiu com It’s Only Rock n’ Roll, Tumbling Dice, Out of Control, All Down the Line até chegar em She’s a Rainbow, música que foi escolhida pelos fãs no twitter oficial da banda. Eis que Wild Horses é a próxima e conquista todos no estádio. Aí quando você pensa que está tudo mais tranquilo, é surpreendido com os primeiros acordes da maravilhosa Paint It Black e percebe o quão bom ainda são os vocais de Mick Jagger, ao longo dos seus 72 anos de pura energia. A próxima é Honk Tonk Women e em seguida Jagger faz a apresentação dos integrantes da banda, em português. Charlie Watts é o primeiro a ser apresentado e é engraçado ver que o cara, que pra mim sempre foi um dos personagens mais enigmáticos do rock, é realmente tímido e aparentemente não gosta muito de ser o centro das atenções. O próximo a ser apresentado é Ron Wood, que com o seu estilo “jovem” e cigarrinho na mão, é só simpatia e sorrisos pra plateia. Em seguida a lenda viva/pai do Jack Sparrow Keith Richards é apresentado, sendo definido por Jagger como “a rainha da bossa nova”. Keith, que também é só sorriso e simpatia, assume então os vocais para tocar e cantar Slipping Away e Before They Make Me Run, enquanto Jagger (que literalmente dispensou apresentações) vai tomar uma água.

A segunda metade do show começa com Midnight Rambler, seguida de Miss You, com a ajuda do público e Gimme Shelter com a ajuda da backing vocal Sasha Allen dividindo os vocais com Mick Jagger em baixo da forte garoa/chuva fraca que caía sobre o estádio naquele momento. Para a minha alegria, 3 das minhas músicas preferidas dos Stones (e as que eu estava mais ansiosa pra ouvir ao vivo) são tocadas em sequência: Start Me Up, Simpathy For The Devil e Brown Sugar. Destaque para Simpathy, que durante os primeiros versos mostrava apenas imagens “ocultas” e “illuminatis” no telão, para que no primeiro refrão (“Pleased to meet you, hope you guess my name”) focassem no senhor Keith Richards. Para quem não conhece, Simpathy For The Devil é uma musica cantada da perspectiva do diabo (Tinhoso, Satanás, Inimigo, como preferirem), onde ele se apresenta e conta tudo o que já fez nessa longa estrada da vida. E pra quem não sabe, a história do Keith Richards é cheia de lendas bizarras e até hoje se questiona como ele continua vivo, depois de já ter ingerido todos os tipos e quantidades de drogas possíveis (pacto?). Enfim, se essa jogada de edição era combinada ou não, eu não sei, mas a indireta foi maravilhosa.

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Foto: Caren Stefanski

Depois do tchau falso, eles voltaram para o bis com o Coral Sampa para cantar You Can’t Always Get What You Want, num momento “take it to the church”. Obviamente o show terminou com Satisfaction e aí todo o público de todas as idades foi à loucura. Mais fogos de artifício anunciavam que a festa estava acabando e os Stones davam tchau mais uma vez, dessa vez de verdade.

Como eu disse anteriormente, o meu pensamento durante todo o show foi “PQP, estou num show dos Stones!” e me senti grata por ter tido a oportunidade. Pude ver ao vivo porque os caras são lendas vivas do rock e acho que eu não estava preparada para tal confirmação diante dos meus olhos. Eu não sei o que eles tomam/usam atualmente, mas Jagger, Wood e Richards são mais animados e tem mais energia do que eu, você e seus amigos juntos. Jagger faz juz à música “Moves Like Jagger” do Maroon 5, já que não para quieto um segundo com seus passinhos de dança peculiares, sempre indo de um lado pro outro do palco. Keith Richards é foda e vê-lo tocando com tamanha maestria me fez ficar impressionada várias vezes. Ron Wood, que toca tão bem quanto o Keith, mas que talvez não tenha o mesmo reconhecimento, não deixou a desejar com seus solos de guitarra e presença de palco de um verdadeiro rockstar. E Charlie permaneceu enigmático em sua bateria, dando o ritmo para que seus colegas fizessem o show.

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Foto: Caren Stefanski

Não há nenhuma banda como os Rolling Stones e pelo que vi no último sábado, jamais haverá. Uma pena pro rock, que tem ficado cada vez mais certinho e politicamente correto ultimamente. Por isso, ver os Stones na ativa ainda depois de meio século de existência e cada vez melhores, é um privilégio que eu infelizmente não sei se terei de novo, mas se eles continuarem nesse pique, talvez uma volta ao Brasil não seja tão impossível. Foi um show de clássicos, de uma banda clássica.

“I know, it’s only rock n’ roll but I like it.”

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Aniversariante do dia: Rolling Stones

No dia 12 de julho de 1962 os Rolling Stones fizeram a primeira apresentação da história da banda, no Marquee Club na Oxford Street em Londres. Na época a grafia do nome da banda era Rollin’ Stones e a banda era composta por Mick Jagger, Brian Jones, Keith Richards, Ian Stewart, Dick Taylor e Tony Chapman.

Como parte das comemorações o quarteto participou de uma exposição fotográfica em Londres. As fotos dessa exposição estarão presentes no livro ROLLING STONES:50, que chega às lojas em outubro. Além disso, em comemoração aos 50 anos, o logo da banda foi repaginado e ganhou um novo design:

Um documentário sobre a história da banda será lançado no segundo semestre, mas uma turnê comemorativa só acontecerá mesmo em 2013. Fato é que nesses 50 anos foram 22 discos lançados, muitos sucessos e os “dinossauros” do rock ainda não pensam em parar (pelo menos por enquanto). It’s only rock n roll, but we like it!